“Meia dúzia de dizeres são o suficiente pra romper ou reatar. Os dois R’s nunca foram tão presentes em sua vida quando falamos do passado. Romper um relacionamento inexistente de nove anos é uma nova face que deve ser encarada com bom humor e sem dizeres de auto-ajuda do tipo: Você vai superar, é questão de tempo. Meia dúzia de dizeres reduziram o tempo a pó. Tudo caiu por terra quando seus atos diziam por si mesmo. Um oi despretensioso tomava conta de todas as vezes que os olhares se cruzavam na roda de amigos. Não existia o “algo mais”, aquele que te faz reagir impulsivamente, e nessa condição de inércia, você disse pra si que não queria mais. O olhar não bastava, não dizia, não reagia, e então, você acaba de romper com o invisível.
Mais meia dúzia de palavras escritas de forma negligente e prepotente te dizem reatar com o passado. Você assiste de camarote alguém se esforçando para retomar de onde parou, porém, não há condições mais. Os laços já se romperam, agora tudo parece tão superficial, profundidade de um palmo, uma mão na tua mão, não é o bastante. Mais meia dúzia e você se conforma a elegê-lo a um patamar acima, o mesmo que você o elegia antes da turbulência vivida. Aí vem a tesoura que corta esse laço ou nó, só podem ser mais palavras que são atiradas indevidamente em sua direção e te dizem que não, o romper foi mais certo que o reatar, e inicia-se uma nova série de desacordos.
A faca de dois gumes que atinge lados completamente opostos firma-se em dizeres e atitudes que na verdade, não tem significado. Se por um lado, amar-se a si mesmo lhe faz menos ma que amar os outros, e de certo é o certo, faça-o de uma vez. Se centenas, dezenas ou milhares de palavras te remetem aos ingratos R’s, as diga, mas não permaneça na catatonia que a vida lhe joga e lhe priva de atitudes que merecem ser esboçadas no seu rascunho vital.”
~ (tlf)

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“Não importa. Dar ou receber presentes nessa época do ano é algo tão comum quanto dar bom dia pro seu cachorro, pois nem seu vizinho está merecendo ultimamente. Naquela sala vazia, com um blues tocando bem baixinho no aparelho de som, você se vê na sala em plena véspera de Natal enrolada em uma colcha fina, bordada de rosa que sua tia-avó fez pra sua mãe, ou foi sua avó que fez para si mesma, não importa. Você não liga as luzes e deixa os piscas-piscas amarelos colorirem parte da porta de madeira. Depois de uma noite daquelas em que o sono não vem dar o ar da graça, tudo o que você queria era uma xícara de café quente, com um “olá” mais quente ainda. Lentamente, deixar-se tropeçar no barrado dessa infeliz roupa de cama é comum, e nesse momento você sente a frieza do chão de madeira da sua sala de estar. Tudo bem, sem problemas, você está a caminho da cozinha pra pegar aquele seu café requentado de ontem, na chaleira, ainda há um pouco de água quente, já fria, que usou um pouquinho pra cada coisa, pra colocar na bolsa de água pro seu tornozelo inchado, um pouco pro pano que iria limpar a pia e o outro pouco seria pra um chá, mas você já estava com sono e foi dormir. Em cima da mesa tem duas facas de margarina, um xícara com restos de café de ontem que se quer lavou e uma colher que fez questão em mexer não só o seu café, mexeu mais fundo quando o aroma subiu e entrou nos seus pulmões. Costumeiramente, suas meias estão rasgadas e sobrepostas sobre a mesa para ainda serem dobradas e levadas ao seu destino final, aquela gaveta emperrada da sua cômoda. Sim, aquela cômoda branca, que guardava mais histórias que meias, estava agora vazia, tanto quanto a chaleira que já estava semi-limpa na pia. Preguiçosamente você lava a louça com o tornozelo ainda inteiro, despedaçado mesmo estava outra parte interna do seu corpo, mas ninguém podia ver. Ainda com as luzes apagadas, o céu nublado permitia uma luz escura, azul, por todos os cantos da casa, o teto parecia mais claro, o chão, mais fundo e as paredes maiores, ilusão de ótica, dizia. Naquela véspera, não havia lareira acesa, não havia vontade de acendê-la, havia uma geleia de uva na geladeira, torradas, queijo brie e quiça um vinho no armário, já era o bastante para sua ceia das seis horas da tarde. Um banho é uma boa alternativa (…)”
~ (tlf)

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March 4, 2013
I was unpacking when I heard you walk in. I had on light pink lipstick that I found at the bottom of a box. You put a few things on the counter and handed me my car keys. I kissed you and asked if you could help me move the bed. You said you needed to talk. I keep replaying this over and over in my mind. I don’t think I’ll be able to unpack the rest of our boxes.

April 4, 2013
It’s been a month since you left.
Mark says you’re not coming back.
I can’t sleep.
Are you awake?

May 4, 2013
I finally went to the doctor like you had begged me to.
You were right and yeah, I’ll be fine.

June 4, 2013
I sold my engagement ring at a pawn shop today. I bought expensive lipstick and flowers. I also bought a lot of beer and a carton of cigarettes. I’ve lost a lot weight since you last saw me. My friends from high school that I haven’t seen in years hardly recognize me. It’s weird being back in this town without you. I spend most of my afternoons at the beach. I saw a sea turtle today while I was swimming. I miss eating breakfast food at midnight with you.

July 4, 2013
I stumbled across the video of you in the car singing Taylor Swift. I deleted it before it played all the way through but I have to admit it made me laugh. I can’t remember how your voice sounds saying my name. I broke down and called you. Thank you for not answering.

August 4, 2013
I dropped my cigarette in my lap when you drove past me today.

September 4, 1012
I went on a date.
He thinks Bud Light is “quality beer”.
It just isn’t going to work out.

October 4, 2013
It doesn’t hurt anymore to say your name.

November 4, 2013
Hope you’re doing well.

December 12, 2013
Thank you for setting me free.

~ These short letters are straight from my notebook, unedited and carelessly written in extremely unattractive cursive. -d.a.h.


“Amor não é paixão. Fazer sexo não é fazer amor. Ódio não é amor. Amor não é fogo, não é chama, não é amizade, não é casamento, nem compromisso. Amor não é namorar, não é chorar, não é beijar, não é desejar, não é saudade. Amar não é estar-se preso por vontade. Não é servir quem vence o vencedor. Amor não vai. Amor é o que fica. Amor é resto. Amor é o que sobra do que foi supracitado. Amor não é onda, é o mar. É o companheiro que não abandona depois que todas as fervorosas sensações se foram. Paixão, ódio, saudade, sexo, casamento, desejo são como trens. Amor é estação.”
~ Gabito Nunes.


“Dois complicados, complexos e totalmente opostos. Mas ela tem alguma coisa que te faz voltar. E você, por incrível que pareça, tem algo que não deixa ela ir.”
~ lo, lolo, lohanny.


De vez em quando me vejo bebendo de uma garrafa de amor, mas isso nunca me deixou embriagada de verdade. Minto. Já tomei um porre sim, daqueles que te fazem contar as pedrinhas do chão e os pedregulhos que ficam no seu travesseiro. Já tomei daquela garrafa inteirinha, uma noite inteira, gole após gole mais perto do caos. Me vi no meio-fio. A linha tênue que tomava meu corpo entre soluços e colisões indesejadas era estreita demais pra ser seguida, foi aí que eu caí. Caí nesse processo sem eira nem beira onde esfregar os lábios na garrafa de amor não é estupidamente sexy e sim arrebatadoramente estúpido. Gotas salgadas saiam se misturando com o destilado de 12 anos que entrava via oral. Um porre nunca foi uma boa alternativa pra mim, muito menos desse tipo. Mas sabe como são os jovens: destemidos e burros. Querem provar e não saber medir dosagens, se afundam de uma vez só para estarem completamente perdidos por meses. A essa hora, um cachorro mudo lambia minha boca tentando secar as feridas da noite passada e de modo algum esse cachorro fica embriagado. Você por outro lado, estrago as possibilidades com gestos apaixonados provenientes dessa bebida cálida e suave no início, que com certeza, já está corroendo meu estômago e coração a esse momento. Esse ácido disfarçado de chá de frutas vermelhas te inflama no início e te intoxica logo após o primeiro “olá” para a pessoa do sexo oposto. Então acabo de matar esse cachorro à grito. Não faço de um porre um hábito, como já diziam meus amigos do AA. Perguntas inconvenientes ecoam nos meus ouvidos: “Seu rosto me parece inchado, afinal, foi um soco ou um choro?” E se devem haver perguntas, por favor, as faça quando eu estiver sóbria. Me recuso a responder qualquer tipo de “eu te amo” nesse estado totalmente e completamente vulnerável. Não quero o toque quente do seu corpo, quero a garrafa, gelada. Não quero The Smiths, alguém por favor toca Raul. Alguém me tira dessa mesa de bar, com uma garçonete pin-up e um bartender tarado olhando pro meu decote. Cada vez mais esse ácido tá fazendo efeito e logo, vou querer contar as estrelas do céu, provavelmente deitada na grama. E caso chova, me dê um guarda-chuva, mas não me faça cantarolar qualquer musical americano com um sorriso do gato de Cheshire na minha cara. Me tira daqui, minhas artérias já estão entupidas de você e cada vez mais tenho vontade de te beijar, de tocar, de te abraçar e dar apelidos escrotos. Mas é só uma vez, só um drinque, uma tequilada, afinal, não sou uma iludida, sou só uma bêbada… E só por hoje, também sou uma viciada.

(tlf)


6 months ago · 0 notes · reblog

ga-bi-to:

Onde foi que eu me perdi?

Multipla escolha:

a) No show cover do Pearl Jam, quando fui até a pista, parei a seu lado próximo ao palco e, acidentalmente, nossas mãos se tocaram. Mesmo aquilo me causando formigamento pelo corpo todo, eu recuei, agindo como se tivesse sido apenas um erro de…



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